não è a do lavrador
sem terra
a minha tristeza
è a do astrónomo cego
para morrer
pois eu sou como o vagalume
sò existo
quando me incendeio
ambos nascem na sede da palavra
ambos morrem na palavra bebida
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo - se
nas pupilas desatentas
de sobressalto dos corpos
dói - me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés
e o sonho
nunca tem pressa
o amor
como lume e água
a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego