sábado, 30 de julho de 2022

Busca da verdade

a verdade è um  ideal tipicamente jovem
creio que se pode traçar uma fronteira
muito precisa entre a juventude e a velhice
a juventude acaba quando termina o egoísmo
a velhice começa com a vida para os outros
ou seja os jovens têm muito prazer e muita dor
com as suas vidas porque eles vivem sò para eles
por isso todos os desejos e quedas são importantes
todas as alegrias e dores são vividas plenamente
e alguns quando não vêm os seus desejos cumpridos
desperdiçam toda uma vida isso è a juventude mas
para a maior parte das pessoas vem o tempo que tudo se modifica em que vivem mais para os outros não por virtude mas porque è assim


a maior parte constitui família pensa - se menos
em nòs próprios e nos nossos desejos quando
se tem filho

 outros perdem o egoísmo num escritório
    na politica na arte ou na ciência


a juventude quer brincar os adultos trabalhar
não há quem case para ter filhos mas quando

chegam modificam - nos e acabamos por perceber
que tudo aconteceu por eles

da mesma forma a juventude gosta de falar na morte
mas nunca pensa nela com os velhos acontece o contrário

os jovens acreditam ser eternos e centram todos os pensamentos
 e desejos sobre si próprios os velhos já perceberam que o fim
vai chegar e que tudo o que se tem e se faz para si próprio acaba
por cair num buraco e de nada valeu


por isso necessita de uma outra eternidade e de acreditar que não trabalhou
apenas para os vermes por isso existe a mulher e os filhos o negócio ou o escritório
e a pàtria para que se tenha a noção de que o esforço diário e as calamidades têm
um sentido

assim uma pessoa è mais feliz quando vive para mais alguém e não para si sò
mas os velhos não devem fazer disso um heroísmo que não è do mais irrequieto
jovem resulta o melhor dos velhos o que não è verdade para aqueles que já na escola 
agiam como velhos

Hemann Hess

in Gertrud





 

sexta-feira, 29 de julho de 2022

adeus

eu sempre o respeitarei

como o melhor poeta do século

Hermenn HESS
 

A fronteira entre a juventude e a velhice

creio que se pode traçar uma fronteira

muito precisa entre a juventude e a velhice

a juventude acaba quando termina o egoísmo

 a velhice começa com a vida para os outros

ou seja os jovens têm muito prazer e muita dor

com as suas vidas porque eles vivem sò para eles

por isso todos os desejos e quedas são importantes

todas as alegrias e dores são vividas plenamente

 e alguns quando não vêem os seus desejos cumpridos

desperdiçam toda uma vida isso è a juventude mas para


a maior parte das pessoas vem o tempo que tudo

se modifica em que vivem mais para os outros


não por virtude mas porque è assim a maior parte

constitui família pensa - se menos em nòs  pròpios


e no nossos desejos quando se tem filhos


outros perdem o egoísmo num escritório

na politica na arte ou na ciência


a juventude quer brincar os adultos trabalhar


não há que se case para ter filhos mas quando chegam

modificam - nos e acabamos por perceber que tudo


aconteceu por eles da mesma  forma a juventude gosta de falar

na morte  nunca pensa  nela com os  acontece ao contrario


os jovens acreditam serem eternos centram todos os esforços

desejos e pensamentos de si próprios


os velhos já perceberam que o fim vai chegar e que tudo o que se tem

 e se for parte para si proibitório receba por si pròpio 




 

construir uma personalidade

nem todos estão predestinados a terem

a oportunidade de criar a sua própria

personalidade a maioria permanece

numa cópia de um tipo de personalidade

 sem nunca chegarem à experiência de se

tornarem um individuo com identidade

própria mas aqueles que conseguem

inevitavelmente descobrem que a luta


pela personalidade envolve o conflito

com vidas normais de pessoas comuns


e os valores tradicionais e convenções burguesas

que defendem


a personalidade è o produto entre duas forças opostas

o impulso de criar uma vida própria e a insistência


do mundo em que nos rodeia em que nos conformemos

a ele


ninguém consegue desenvolver uma personalidade a não ser

que esteja mentalizado para passar por experiências revolucionárias


a extensão dessa experiência difere claro de pessoa para pessoa

assim como a capacidade de conduzirem uma vida que è verdadeiramente


pessoal e única


                      Hermann  Hess

             in Demian


 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

A criança dentro de nòs

todas as crianças enquanto vivem dentro do seu mistério

estão sempre ocupadas nas suas almas  com uma coisa

è importante que são elas próprias e a sua relação enigmática

com o mundo à sua volta os descobridores e as pessoas sábias

voltam a essa ocupação à medida que amadurecem a maioria

das pessoas no entanto esquecem e deixam para sempre este mundo

interior do que è significativo muito cedo nas suas vidas como almas


 perdidas  elas vagueiam durante toda a sua vida

num labirinto multicolorido de preocupações


desejos e objectivos mas nenhum deles habita verdadeiramente

nos seus íntimos nem os levará a se núcleo mais íntimo e è a sua casa


Hermann Hess

Íris


 

A idade sò se aplica a pessoas vulgares

a tendência para colocar uma ênfase especial ou organizar

a juventude nunca me foi cara para mim a noção de pessoa

velha ou nova sò se aplica à pessoas vulgares todos os seres

humanos mais dotados e mais diferenciados são ora velhos

ora novos do mesmo que ora são tristes ora alegres è coisa

dos mais velhos lidar mais livre mais jovialmente com maior

experiência e benevolência com a própria capacidade de amar

do que os jovens os mais idosos apressam - se sempre a acharem

os jovens precoces demasiado velhos par a idade mas são eles

 próprios que gostam de imitar os comportamentos e maneiras


da juventude eles próprios são fanáticos injustos

julgam - se detentores de toda a verdade


 e sentem - se facilmente ofendidos


a idade  não è pior que a juventude

do mesmo modo que Lau - Tsè não è pior


que Buda e o azul não è pior que o vermelho

a idade sò perde valor quando quer fingir ser juventude


Hermann Hess

in Elogio a Velhice

 

nasci

num pais pequeno onde

o aspecto è mais importante

que a alma
 

sou o infinito

que acaba numa lágrima covarde

do teu rosto a chorar
 

sou feito de areia fina

que o vento levanta

mas ninguém segura

sou enfim a chama acesa

que queima sem te tocar
 

para mim

serás sempre o céu

no tom da vida

o meu azul na cor do amor !
 

eu no rosto da vida

sufocado pela timidez

saem frases perdidas no encher

das marés  vazio da lua cheia

debruça - se nos meus versos

corre - me nas veias linhas em forma

de traços seguro as pernas de pè para tentar não

ir abaixo ! 
 

se ainda há vida

não è finda o frio morto

em cinzas a ocultou a mão

do vento pode erguê - la ainda

dà sopro a aragem ou desgraça

ou ânsia com que a chama remoça


e outra vez conquistemos

a distância do mar

ou outro mas que seja nossa
 

Sorte

enquanto vives a perseguir a sorte

não estás preparada para seres feliz

ainda que seja o teu maior desejo

enquanto lamentas do perdido

tens metas e não te dàs o descanso

não podes saber o valor da paz

se quando todo o anelo te renunciares

sem objectivos nem mais desejos

 e jà não deres a sorte qualquer nome

já a maré dos eventos não te atingir o coração


e se acalma a tua alma
 

a serenidade

não è feita de troça nem de narcisismo

è o conhecimento supremo e amor

è a afirmação da verdade atenção junto

a borda dos grandes fundos de todos os abismos

è uma virtude de santos e dos cavaleiros

è indestrutível e cresce com a idade e a aproximação

a morte è o segredo da beleza e a verdadeira substância

de todas as artes

o poeta que celebra na dança dos seus versos as magnificências

e os terrores da vida o musico que lhes dà os tons de uma pura


 presença trazem - nos a luz aumentam a alegria

e a clareza sobre a terra mesmo se primeiro


nos fazem passar por lágrimas dolorosas

o poeta talvez tenha sido um triste solitário


e o musico um sonhado melancólico

isso não impede que as suas obras participem


na intensidade os deuses e das estrelas

o que eles nos dão não são mais suas trevas


a sua dor ou o seu medo è a gota de luz pura

da eterna serenidade mesmo quando povos inteiros


línguas inteiras procuram explorar as profundezas cósmicas

em mitos cosmogonia religiões o último termo que poderão


atingir è essa a serenidade


in o jogo das contas de vidro


Hermann Hess

 

Quando se quer algo

verdadeiramente e com força suficiente

acaba - se por consegui - lo sempre

quem quer nascer tem de destruir

um mundo destruir no sentido de romper

com o passado e as tradições já mortas

desvincular - se do meio excessivamente

cómodo e seguro da infância para conseguente

dolorosa busca da própria razão  de ousar ser

a verdadeira profissão do homem è encontrar

o caminho par si mesmo


nada posso dar - lhe a não ser a chave e o impulso

não lhe posso abrir outro mundo para além do que


a sua própria alma


não existe nada tão selvagem e cruel na natureza

quanto os homens normais


para que resulte o possível tem de ser tentado o impossível


Hermann Hess  -  Demian


 

amor com muita saudade

a noite tudo è silencioso

o vento bate - me no rosto

e enxuga uma lágrima que cai

porque me lembrei de ti do teu

sorriso do teu olhar


e a saudade chega repentinamente

que não houve tempo para te dizer


amo - te e adormeci a amar - te
 

alguns

tem na vida um grande sonho

e faltam a esse sonho

outros não tem na vida nenhum sonho

e faltam a esse sonho tambèm

assim falham as palavras

quando querem exprimir qualquer

pensamento assim falham quando

querem exprimir qualquer realidade

circunda - te de rosas

ama


bebe e cala

o mais è nada
 

terça-feira, 26 de julho de 2022

Quero

fazer um poema de amor

que não conheces das coisas

que penso  do amor que te devo

da vontade de amar das caricias

perdidas na rotina do quotidiano

na crueldade do tempo no equinócio

da vida um poema que seja sò amor

 por amor para ti meu amor um poema

em que cada palavra esteja em ti e onde

possa amar - te


um poema aqui neste poema a querer - te


amar
 

viagem

neste lugar parado das coisas

cada palavra combate a ignorância

das coisas que hão - de mudar no

momento exacto da partida
 

sei que pareço um ladrão

mas há muitos que eu conheço

que não parecendo o que são

são aquilo que eu pareço


        in  António  Aleixo
 

uma mosca sem valor

pousa com a mesma alegria

na careca de um doutor

como em qualquer porcaria


       in  António  Aleixo
 

estrela

do meu ser amor sublime

da minha essência sangue 

que brota no meu sangue

seiva da minha seiva

beijo do meu beijo

amor do meu amor

lábio fértil do nosso ser

em nòs
 

princesa

quero que os anjos te protejam

que a tristeza te esqueça

que a bondade te domine

que a felicidade te rodei

e que todos os deuses


te abençoem todos os dias

da tua vida !
 

Poeminha sentimental

meu amor meu o amor

è como fio telegráfico

da estrada onde vêm

pousar as andorinhas

de vez enquanto  chega

uma e canta

( não sei se as andorinhas cantam mas vai là ) 

canta vai - se embora outra nem isso mal chega

vai - se  embora à última que passou limitou - se

a fazer cocô  no meu pobre fio da vida !


não entendo o meu amor è sempre o mesmo

as andorinhas è que mudam
 

vem meu amor

 vem ver o sol a nascer

vem ver a dança das borboletas

enquanto colhemos as rosas pétalas

margaridas que enfeitam as nossas vidas

vem meu amor contemplar a beleza

 dos lìrios que floram e florescem os campos !

vem meu amor enxugar o meu pranto !

vem ver a luz do sol meu amor transforma

a minha tristeza em alegria


 

Règio

saio de mim

para quem sou

e jamais chego ao destino

no caminho do ser meu gozo

è perder - me

meu coração mora onde acende

um outro peito
 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Que diremos ainda ?

vê como de sùbito o céu se fecha

sobre dunas e barcos e cada um

 de nòs se volta e fixa os olhos 

um no outro e como deles devagar

escorre à última luz sobre as areias

que diremos ainda ? serão palavras

isto que aflora aos lábios ? palavras ?

estes rumor tão  leve que ouvimos


o dia a desprender - se ?


palavras ou luz ainda ?

palavras não

quem as saberia ?


foi apenas lembrança doutra luz


nem luz seria apenas outro olhar de mar de Setembro
 

se alguma vez

encontrasse no que escrevo

as exactìssimas palavras

que dissessem tudo aquilo

que sinto por ti deixaria a minha 

esferográfica repousar eternamente

e ensinaria a ser aborígene atè a hora

em que sem pisar a terra subiríamos


num balão viríamos os ninhos dos cucos

là do alto e acariciávamos o céu nas


fossas abissais   dos oceanos abertas

que estariam para nos acolher em sossego
 

meu amor

entre nòs a posse imperecìveis tempos

itinerários de sol num futuro alcançar

passo a passo ... confluência

quando se abriu a tua mão cantou

o teu corpo


saltaram - te as pupilas como estrelas cadentes

que colhi no silêncio da minha alma


deu - se o milagre da multiplicação dos sòis

a nossa existência prometia e nada mais nos


importou


o nosso barco afundou sob os meus magoados


olhos
 

domingo, 24 de julho de 2022

procura

a maravilha onde um beijo sabe

a barco e a bruma no brilho

redondo e jovem dos joelhos 

na noite inclinada de melancolia

procura procura a maravilha
 

a boca

onde o fogo de um verão

muito antigo cintila

a boca espera

( que pode uma boca esperar senão outra boca ? )

espera o ardor do vento 


para ser ave e cantar
 

levar - te à boca

beber - te a água mais funda

do teu ser

se a luz è tanta

como se pode morrer ?
 

hoje

roubei todas as rosas

dos jardins e cheguei

ao pé de ti de mãos

vazias
 

ainda sabemos cantar

sò a voz è que mudou

somos agora mais lentos

mais amargos e um gesto 

novo è igual ao que passou

um verso já não è maravilha


um corpo já não è a plenitude
 

sê paciente

espera que a palavra amadureça

e se desprende como um fruto

ao passar do vento que a mereça
 

sè tu a palavra branca rosa branca

sò o desejo è matinal

poupar o coração è permitir

a morte coroa - se de alegria

morre de ser ousada na água

amar o fogo beber - te a sede

 e partir eu sou  de tão longe

da chama a espada o caminho

è solitário


que me quereis

se não me dais

o que è tão meu ?

 

passamos pelas coisas

sem as ver gastos como animais envelhecidos

se alguém chama por nòs não respondemos

se alguém nos pede amor não estremecemos

como frutos de sombra sem sabor vamos caindo

ao chão apodrecidos
 

Hùmidos

de beijos e de lágrimas

ardor da terra com sabor

 a mar o teu corpo 

perdia - se no meu

( vontade de ser barco ou cantar )
 

música leva - me

onde estão as barcas ?

onde estão as ilhas ?
 

eram

de longe do mar

traziam o que è do mar

doçura e ardor nos olhos

fatigados
 

diz homem

diz criança

diz estrela

repete as silaba

onde a luz è feliz

e se demora

volta a dizer homem

mulher criança onde

a beleza è mais nova
 

de palavra

em palavra a noite sobe

aos ramos e canta o êxtase

do dia
 

colhe

todo o oiro do dia

na haste mais alta

da melancolia
 

nunca o verão

o verão se demorou assim

nos lábios e na água como

podíamos morrer tão próximos

e nus e inocentes ? 
 

è

na pequena folhagem

do sono que brilha

a pele molhada

a a difícil floração

da lìngua 
 

foi por ti

que criei as rosas

foi por que lhe dei perfume

para ti criei as rosas

foi por ti que lhes dei perfume

por ti rasguei ribeiros e dei as romãs

a cor do lume
 

entre lábios

è que a loucura desce a garganta

invade a água

no teu peito è que o pólen do fogo

se junta a nascente alastra na sombra

nos teus flancos è que a fonte começa


a ser rio de abelhas rumor de tigre

da cintura aos joelhos è que a areia


queima


o sol è secreto

cego o silêncio


deita - te comigo

ilumina meus lábios


e nos lábios toda a musica

è minha


 

è urgente o amor

è urgente um barco no mar

è urgente destruir certas palavras

ódio solidão e crueldade

alguns lamentos muitas espadas

è urgente inventar alegria multiplicar

os beijos as searas

è urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras

cai o silêncio nos ombros

e a luz impura atè doer
 

è urgente o amor

è urgente permanecer

destino

a ternura pouca

me vou acostumando

enquanto me adio

servente de danos e enganos

vou perdendo morada na súbita

lentidão de um destino que me

vai sendo escasso

conheço a minha morte

seu lugar esquivo

seu acontecer disperso


agora que mais me poderá vencer !

 

não

deixar o tempo rolar

para que o tempo devolva

o tempo não posso

tudo seria jogar sem intenção

eu sei que um trilho em seio

de floresta è uma lágrima em 

face de erosão
 

Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego