terça-feira, 9 de agosto de 2022

Ser palmeira

existir num pìcaro  azulado vendo as nuvens

mais perto e as estrelas em bando dar a sopro

do mar o seio perfumado ora os leques abrindo

ora os leques fechando sò de meu cimo sò do meu

 trono os rumores do dia ouvir nascer o primeiro

arrebolo e no azul dialogar com o espírito das flores

que invìsivel ascende e vai falar ao sol sentir romper 

do vale e meus pés numerosa dilatar - se a cantar

a alma sonora e quente das árvores que em flor abre

a manhã cheirosa dos rios onde luz todo o esplendor


do Oriente e juntando a essa voz glorioso murmúrio

de minha fonte abrindo ao largo os vèus


ir com ela através do horizonte purpúreo e penetrar

nos céus ser palmeira depois de homem ter sido esta

 alma que vibra em mim


sentir que novamente vibra e eu a espalmo a tremer

nas folhas palma a palma e a dizendo a subir numa caule


fibra a fibra que bom dizer então bem alto

ao firmamento o que outrora jamais homem


dizer não pude da menor sensação ao máximo tormento

quanto passa através da minha existência rude !


e esfolhar - me ao vento indômita  e selvagem aos arroncos

vem bufando o temporal


poeta bramir então a nocturna bafagem meu canto triunfal !

e isto que aqui então dizer que te amo mãe natureza !


de modo como entendes a voz do pássaro o ramo e o eco

que têm o oceano as borrescas  tremendas e pedir uno sol


a cuja luz referves ou no verme do chão ou uma flor que sorri

mais tarde em qualquer tempo a minha alma conserves para


que eternamente eu me lembre de ti !

 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego