terça-feira, 31 de maio de 2022

Para ti

foi por ti que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

 toquei no nada e para ti foi

tudo para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram no minuto 

que talhei o sabor do sempre

para ti dei voz as minhas mãos


abri gomos do tempo assaltei o mundo

pensei que tudo estava em nòs nesse 

doce engano de tudo sermos donos

sem nada termos simplesmente porque

 era de noite e não dormíamos


eu desci em teu peito para me procurar

e antes que a escuridão nos cingisse

a cintura ficamos nos olhos vivendo 

de um sò amando uma sò vida
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego