terça-feira, 31 de maio de 2022

Solidão

aproximo -me da noite

o silêncio abre os seus passos escuros

e as coisas escorrem

por óleo frio e espesso

esta deveria ser a hora

em que me recolheria


como um poente

no bater do teu peito

ma a solidão

entra pelos meus vidros

e nas suas enlutadas mãos

solto o meu delírio

è então que surges

com os teus passos de menina

os teus sonhos arrumados

como duas tranças nas tuas costas

guiando - me por corredores infinitos

e regressando aos espelhos onde a vida

te encarou mas os ruídos da noite trazem

a sua esponja silenciosa e sem luz e sem

tinta meu sonho resigna longe os homens

afundam com o caju que fermenta 

e a onda da madrugada demora - se 

de encontro às rochas do tempo
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego