quinta-feira, 23 de junho de 2022

Alexandra

há pequenas aves que têm raìzes

nas palavras que não ficam arrumadas

com decência na literatura

palavras de amantes sem amor

gente que sofre e a quem falta o ar

quando faltam as palavras

quando digo o teu nome há uma ave

que levanta voo como se tivesse nascido

o dia e uma luz encancerada nas amêndoas

se soltasse para impelir para o mais alto


para o mais azul


quando  volto para casa o teu nome vai comigo

e ao mesmo tempo espera - me já numa casa


construída com dois nomes como se tivesse

duas frentes uma para montanha e outra para o mar


por vezes dou - te o meu nome e fico com o teu

espreito então pela janela de onde se vêem coisas


que nunca antes tinha visto coisas que adivinhava

mas que não sabia coisas que sempre soube mas


que nunca quis olhar nessas alturas o meu nome

è o teu olhar e os meus olhos são a pronúncia


do teu nome que se diz com um pequeno brilha molhado

um som pequeno com um roçagar de asas dessas aves


que constroem o ninho na folhagem da fala e criam raìzes

fundas nas palavras vulgares que os vulgares engrandecem


quando falam de amor


 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego