quarta-feira, 29 de junho de 2022

Eternidade

a minha eternidade neste mundo

sejam vinte anos sò depois da morte !

o vento eles passados que enfim corte

a flor que no jardim plantei tão fundo

as minhas cartas lei - as quem quiser !

torne - se publico o meu pensamento !

e a terra a que chamei minha mulher

a outros dê seu lábio sumarento !


a outros abra as fontes do prazer e teça o leito

em pétalas e lume ! 


a outros dê seus frutos a comer e em cada noite

a outros dê perfume !


o globo tem dois pólos ontem e hoje


dizemos sò pai ! ou sò meu filho !


o resto è baile que não deixa trilho

rosto sem carne fixidez que foge


venham beijar - me a campa os que me beijam

agora frágeis frívolos e humanos !


os que me virem morto ainda me vejam depois da morte

vivo ainda vinte anos !


nuvem subindo anis que se evapora

assim um dia passa a minha vida !


mas antes que uma lágrima sentida traga a certeza

que alguém me chora ! 


Adro ! Cabanas !

meu cantar do Norte !


( negasse eu tudo acreditava em Deus ! )


não peço mais depois da morte haja vinte anos 

que ainda sejam meus !

 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego