quarta-feira, 29 de junho de 2022

inocência

de um lado a veste o corpo do outro

lado límpido nu intacto sem defesa

mitológico rosto debruçado na noite

 que por ele fica acesa !

se traz os lábios húmidos e lassos

è que a paixão sem mácula ainda

o cega e tatuou na curva de alvos braços

 as letras da palavra entrega 

acre perfume o dessa flor agreste álcool azul 

o desse vinho


de um lado o corpo do outro lado o veste

como luar deitado no caminho em frente


há um pinheiro cismador o rio corre vagaroso

ao fundo nesta estrada ninguém passa ai !


tanto amor sem culpa ! as dos poetas deste mundo !
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego