quinta-feira, 23 de junho de 2022

os fios

dormentes de água que a tua lìngua

solta num grito cor - de - rosa

e a minha lìngua sorve e canta

e os meus dentes mordem derramando

a seiva da tua primavera sem palavras


o poema inquieto e livre que a tua boca

oferece à minha boca
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego