quinta-feira, 30 de junho de 2022

quem me dera

que eu fosse o pò da estrada

e os pès dos pobres estivessem

a pisar - me

quem me dera que eu fosse

os rios que correm e que as lavadeiras

estivessem a minha beira

quem me dera que eu fosse os choupos

à margem do rio e tivesse sò o céu por cima

 e a água por baixo


quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

e aquele que me batesse e me estimasse antes


isso que o ser que atravessa a vida olhando

para trás de si e tendo pena

 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego