quarta-feira, 22 de junho de 2022

tenho sonhos cruéis

na alma doente

sinto um vago receio

prematuro vou a medo

na aresta do futuro embebido

em saudades do presente

saudades desta dor que em vão

procuro do peito afugentar bem

rudemente devendo a desmaiar

sobre o poente cobrir o coração

de um vèu escuro !


porquê a dor esta falta de harmonia

toda a luz desgrenhada que alumia


as almas doida-mente o céu de agora

sem ela o coração è quase nada


um sol onde expirasse a madrugada

porque sò è madrugada quando chora !
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego