no outro são crianças sem futuro a caminhar
num dia eram sò mães a dizer aos filhos atè
logo no outro são mães sem saber o que dizer
sem saber quanto tempo vai durar essa despedida
num dia eram sò rapazes a combinar sair com os amigos
no outro são rapazes sem saída a espera dos inimigos
um dia eram sò homens a regressar do trabalho
no outro são homens sem casa a querer regressar
eram sò pais a dar a mão aos filhos para atravessar
a estrada agora são pais a quem arrancam os filhos das mãos
e as estradas jà não deixam caminhar num outro dia da noite
para o dia escureceu e amanhã ainda não rompeu

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