ocupam a casa uns buscam os
recantos outro existem à janela
a uns satisfaz uma sombra a outros
nem o mundo basta uns batem com
a porta outros hesitam como se não
houvesse saída
raras as vezes sou pai
sou sempre todos os meus filhos
sou a mão indecisa no fecho
que me fui trocando
sou a noite passada entre relógio e escuro
em mim ecoa a vos que a entrada anuncia
cheguei !
e eu sorrio sempre de resposta chegou ?
mas se nunca ninguém partiu
e tanto em mim demoram as esperas
que me fui trocando por soalho e me
converti em sonolenta janela
agora eu mesmo sou a casa
infatigável casa a que meus filhos
eternamente regressam

Sem comentários:
Enviar um comentário