terça-feira, 19 de julho de 2022

a casa

sei dos filhos pelo modo como

ocupam a casa uns buscam os

recantos outro existem à janela

a uns satisfaz uma sombra a outros

nem o mundo basta uns batem com

 a porta outros hesitam como se não

houvesse saída

raras as vezes sou pai


sou sempre todos os meus filhos

sou a mão indecisa no fecho

que me fui trocando


sou a noite passada entre relógio e escuro

em mim ecoa a vos que a entrada anuncia

cheguei !


e eu sorrio sempre de resposta chegou ?

mas se nunca ninguém partiu


e tanto em mim demoram as esperas

que me fui trocando por soalho e me


converti em sonolenta janela

agora eu mesmo sou a casa


infatigável  casa a que meus filhos

eternamente regressam


 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego