terça-feira, 12 de julho de 2022

a vulgar que passou

não eras para o meu sonho

não eras para a minha vida

nem para os meus cansaços

perfumados de rosas de rosas

nem para a impotência da minha

raiva suicida não eras a bela e doce

a bela e dolorosa não eras para os

meus sonhos não eras para os meus

cantos não eras parte do meu prestígio

dos meus amargos prantos não eras


para a minha vida  nem para a minha dor

não eras o fugitivo de todos os meus encantos


não merecias nada nem o meu áspero desencanto

nem sequer o lume que pressentiu o amor


bem feito è muito bem feito que tenhas passado

em vão que a minha vida não se tenha submetido


ao teu olhar que os antigos prantos se não tenha juntado

a amargura dolente de um estéril chorar


tu eras para o imbecil que te quisesse um pouco

( oh !  meus sonhos doces !  oh ! meus sonhos loucos ! )


tu eras para um imbecil para um qualquer que não tivesse

nada dos meus sonhos nada mas que te daria o prazer animal


o curto e o bruto gozo do espasmo  final


não eras para os meus sonhos não eras para a minha vida

nem para os meus quebrantos nem para  nem para a minha dor


não eras para os prantos das minhas duras feridas

não eras para os meus braços nem para minha canção
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego