segunda-feira, 11 de julho de 2022

corpo de mulher branca

colinas  coxas brancas pareces - te

com o mundo na tua atitude de entrega

o meu corpo de lavrador selvagem

escava em ti e faz saltar o filho mais

fundo da terra fui sò como um túnel

de mim fugiam os pássaros e em mim

a noite forçava a sua invasão poderosa

para sobreviver forjei - te como uma

arma como uma flecha no meu arco 

como uma pedra na minha funda


mas desce na hora da vingança

e eu amo - te corpo de pela


de musgo de leite ávido e firme

ah os copos de peito !

ah os olhos de ausência !

ah as rosas do púbis ! 

ah a tua voz lenta e triste !


corpo de mulher minha persistirei na tua graça

minha sede minha ânsia sem limite meu caminho


indeciso !

escuros regos onde a sede eterna continua e a fadiga

continua e a dor infinita
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego