terça-feira, 19 de julho de 2022

para ti

foi para ti que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada e para ti foi tudo

para ti criei todas as palavras 

e todas me faltaram no minuto

que talhei o sabor do sempre

para ti dei voz as minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nòs


nesse doce engano de tudo sermos donos

sem nada termos simplesmente porque era


de noite e nòs não dormíamos

eu descia em teu peito para me procurar


antes que a escuridão nos cingisse a cintura

ficamos nos olhos vivendo de um sò amando

de uma sò vida
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego