domingo, 3 de julho de 2022

quem me dera

que a minha vida fosse um carro

de bois que vem a chiar manhãzinha

cedo pela estrada e que para de onde

veio volta depois quase à noitinha pela

mesma estrada eu não tinha que ter esperança

tinha sò que ter rodas a minha velhice não tinha

rugas nem cabelos brancos quando eu já não servia

tiravam - me as rodas e eu ficava virado e partido

no fundo de um barranco


 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego