segunda-feira, 4 de julho de 2022

quem

dera que eu fosse o pò da estrada

e os pès dos pobres estivessem

a pisar - me quem me dera que eu

fosse os rios que correm e que as

lavadeiras  estivessem à minha beira


quem me dera que eu fosse os choupos

à margem do rio e tivesse sò o céu


por cima e a água por baixo

quem me dera que eu fosse


o burro do moleiro e aquele

que me batesse e me estimasse


antes isso que o ser que atravessa

a vida olhando para trás de si e tendo


pena
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego