segunda-feira, 30 de maio de 2022

soneto de mal amado

invento - te recordo - te distorço

a tua imagem mal e bem amada

sou apenas a forja em que me forço

a fazer das palavras tudo ou nada

a palavra incendiada lambeando

a trave mestre do teu corpo 

a palavra ciúme atormentada

a provar que ainda não estou

morto

e as coisas que eu disse ? que não digo


meu terraço de ausência meu castigo meu pântano

de rosas afogadas


por ti me reconheço e contradigo joio e trigo


apenas por ternura


levedadas 
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego