segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A demora

O amor nos condena

demoras

mesmo quando chegas antes

porque não è o tempo que eu te espero

Espero - te antes de haver vida

e ès tu quem faz nascer os dias

Quando chegas

já não sou senão saudade

e as flores

tombam - me dos braços


para dar cor ao chão que te ergues


Perdido o lugar

em que te aguardo

sò me resta água no lábio

para aplacar a tua sede


Envelhecida a palavra

tomo a lua por minha boca

e a noite já sem voz

se vai despindo em ti


O teu vestido tomba

è uma nuvem

o teu corpo se deita no meu

um rio se vai desaguando atè ser mar
 

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Tristeza

a minha tristeza não è a do lavrador sem terra a minha tristeza è a do astrónomo cego